A origem da capoeira

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A ORIGEM DA CAPOEIRA

 

         A trajetória de praticamente todos os capoeiras é muito parecida, em princípio ficamos fascinados com o som do berimbau, do atabaque, com o profundo significado das músicas, que tocam dentro de nossas almas e corações e aos poucos vamos nos apaixonando pela ginga, pelos golpes e quando nos damos conta, a Capoeira já está entranhada dentro de nossa vida.

Herança africana legada à cultura brasileira, o jogo da Capoeira trouxe uma valiosa contribuição à formação da nossa identidade cultural.

Capoeira é luta, jogo e dança. Brincadeira de movimentos perigosos executados com graça, malícia e muitos rituais. Dança negra em que prevalece a agilidade da esquiva e a esperteza da fuga. Os pés que deslizam sobre o chão podem desferir golpes fatais. Essa dança, como forma de expressão corporal, possui uma linguagem aonde cada gesto significa e representa idéias, sentimentos, emoções e sensações.

O jogo da Capoeira é a síntese da dança. A sua essência, disfarçada em brinquedo: vadiação; distração de quem busca extravasar cada função interior nos gestos exteriores. Nessa dança se manifesta a tradição milenar da cultura negra de reverenciar as origens, cada vez que se repetem gestos ancestrais, renovados. O jogo da Capoeira é um vínculo com antepassados que praticaram os mesmos atos.

A Capoeira consiste numa dança onde o emprego dos movimentos arriscados – dado à circunstância de camuflar possível contenda – envolve os participantes e contagia quem assiste.

         A postura respeitosa dos capoeiras uns com os outros, com o jogo, o "chão", o berimbau e o atabaque se explicam no propósito maior da dança: unir. Ligar estreitamente, como as mãos que se apertam ao final de cada jogo.

Fornecendo elementos para a História do Brasil, o jogo da Capoeira se fez presente em todos os períodos, desde a colônia. Inúmeros memorialistas e cronistas de costumes fixaram a imagem de capoeiras célebres e suas peripécias, sendo possível flagrar a construção da identidade brasileira através do acompanhamento da História da Capoeira.

O jogo da Capoeira é o corpo e a essência de 500 anos de luta de resistência negra, constituindo-se na primeira e original manifestação libertária da Cultura Brasileira. É o corpo e a força dos ritos que preservam os mitos e os arquétipos da nossa gente. Participando ativamente da resistência comum às variadas formas de dominação física e cultural, desde o seu aparecimento nas terras brasileiras a Capoeira insurge-se em defesa da construção de uma nova identidade coletiva. Esse jogo não foi somente um fermento revolucionário; é realmente um instrumento de transformações firmado nas mais antigas raízes culturais do povo brasileiro.

Muitos dos nossos escritores empolgaram-se com a Capoeira: Joaquim Manuel de Macedo, em Memórias de Um Sargento de Milícias; Aluízio de Azevedo, em O Cortiço, são alguns dos que buscaram retratar cenas do período em que capoeiras pontificavam, nas suas lutas.

A introdução deste estudo foi baseada no livro de Camile Adorno – A arte da Capoeira.

A ORIGEM DA CAPOEIRA

Acredita-se que a existência da Capoeira remonte às senzalas, às fugas dos negros e aos quilombos brasileiros da época colonial: os escravos fugitivos, para se defenderem, fizeram do próprio corpo uma arma.

As origens da Capoeira estão nesse ambiente, onde os negros relembravam suas velhas danças e rituais da África. A maioria dos golpes assemelha-se às defesas e ataques de animais: a marrada do touro, o coice do cavalo, a fisgada do rabo de arraia. Ou então guardam relação com instrumentos de trabalho cuja ação é semelhante aos movimentos do corpo dos capoeiras: o martelo batendo, a foice roçando o mato.

Não há indicações seguras de que a Capoeira, conforme a conhecemos no Brasil ainda hoje, tenha se desenvolvido em qualquer outra parte do mundo.

O antropólogo Gerhard Kubik, professor da Universidade de Viena – Áustria e membro da Associação Mundial de Folclore, especialista em assuntos relacionados à África, não encontrou em suas pesquisas nenhuma manifestação semelhante a Capoeira, considerando, portanto a expressão "Capoeira de Angola" uma criação brasileira, sem qualquer conotação cultural com a África.

Câmara Cascudo, outro grande historiador, afirma que os negros Bantos – Congo – Angolenses trouxeram-na em forma de danças litúrgicas; as quais eram praticadas ao som de instrumentos de percussão, transformando-se em luta aqui no Brasil. Assim, de acordo com o antropólogo Gerhard Kubik, Câmara Cascudo e vários outros estudiosos, a Capoeira é uma invenção dos escravos africanos em terras brasileiras.

Não existem pesquisas históricas a respeito da capoeira nos séculos XVI a XVIII.

O pintor Rugendas (1835), retratou a Capoeira na gravura intitulada Jogar capoeira ou dança da guerra. Nela dois negros gingam ao som de um atabaque – tocado por um negro sentado – diante de uma assistência composta por nove negros (dentre os quais três mulheres). O cronista refere-se ao que vê como uma "dança da guerra".

Durante a primeira metade do século XIX, a Capoeira parece ter se configurado como uma experiência essencialmente escrava. Entretanto, a partir dos anos 1850, altera-se a composição étnica e social de seus praticantes, com a incorporação de libertos e livres, muitos dos quais brancos. Dentre esses últimos havia alguns membros da elite e também inúmeros estrangeiros, predominantemente portugueses.

Em 1872 levantavam-se as primeiras vozes pedindo a criminalização da capoeira, apesar desta não se caracterizar como crime de acordo com o Código Criminal" (Holloway,1989:669).

Em 11 de outubro de 1890 foi promulgada a Lei nº 487, de autoria de Sampaio Ferraz, que proibia a prática da capoeira e previa punição de 2 a 6 meses de trabalho forçado na ilha de Fernando de Noronha.

Como não eram apenas os negros e mestiços que praticavam a Capoeira, a lei acabou atingindo importantes pessoas da nobreza.

 

CONCLUSÃO

          De acordo com a pesquisa bibliográfica realizada, vemos que a origem da Capoeira perde-se no tempo e se acha ainda oculta pela poeira dos séculos que a envolvem. São vários os historiadores defensores das mais diferentes teses com relação à sua origem.

Não sabemos com precisão a veracidade de todos os fatos, porque o conselheiro Rui Barbosa, quando Ministro da Fazenda do governo do General Deodoro da Fonseca, considerando a exploração do homem pelo homem uma mancha de sangue na história do nosso país a ser apagada, mandou queimar toda a documentação referente à escravidão negra no Brasil.

Vemos que essa sua atitude nos trouxe apenas a distorção de muitos fatos, porque os documentos que restaram forneceram os subsídios necessários para a reconstituição da nossa história.

Assim, concluímos que realmente não existem relatos documentados ou registros que comprovem a origem da Capoeira, porém a maior parte dos historiados e estudiosos do tema, confirmam a teoria de que a Capoeira teve uma influência africana fragmentada, porém a Capoeira como a conhecemos hoje, nasceu realmente no Brasil.

         De fato temos pelo menos uma certeza em relação à Capoeira: Hoje em dia esta arte definitivamente representa o Brasil, pois não existe brasileiro que não se sinta influenciado e enfeitiçado por sua ginga, melodia, enfim por toda a sua magia.

 

 

OS  MOVIMENTOS

A ginga

A ginga é a movimentação corporal essencial da capoeira. Passo de dança, passo de luta. Primeiro, para aprender-se o jogo. Cadência, movimentação oscilante, meneio do corpo, que desconcerta e engana, no jeito bamboleante, na dança de todo o corpo.

A sua característica principal é permitir a descontração,

a entrega aos ritmos da Capoeira. Funciona como armação para outros movimentos, permitindo deslocações constantes.

Como se fora uma dança – nem por isto obrigada a ter propósitos inofensivos – estabelece harmonia entre a Capoeira e a própria natureza do jogador: versátil, dinâmica, criativa.

Permitindo que a um só tempo o corpo lute aparentando dançar, a ginga camufla o potencial letal dos movimentos. É a ginga que predispõe o jogador a um jogo situado entre a brincadeira e o combate. A ginga não é unicamente uma base para o arremesso de golpes. E os movimentos da Capoeira não são somente golpes.

Existe um princípio de movimentação em equilíbrio, com as ações circulares típicas do jogo, que determina uma forma de ginga para cada jogador, atendendo a suas características e preferências. Afinal, não podemos esquecer as peculiaridades do jogo.

As padronizações – ou estilizações – levam à diminuição do espaço reservado à arte, aos improvisos de cada jogador, empobrecendo e descaracterizando o jogo, invertendo suas finalidades.

As tentativas de estabelecer-se um estilo único de ginga, geralmente são o resultado das iniciativas de alguns professores, que buscam ajustá-la às razões pelas quais praticam a Capoeira, sejam a promoção de shows ou o ensino de pugilato. Isso contraria o fundamental: a arte se presta à luta e pode ser vista como demonstração, mas sua natureza vai muito além destas meras possibilidades.

Qualquer comparação que implique em limitação, exclusão de componentes do seu conteúdo, provoca deturpações. Principalmente se referentes a modalidades pugilísticas, por relacionarem a Capoeira com manifestações inseridas em outro contexto cultural.

Não serão menos equivocadas comparações com outras danças, entendidas conforme os conceitos geralmente adotados para sua compreensão. Isso importaria em excluir a possibilidade do emprego ofensivo-defensivo, existente desde o surgimento do jogo, de forma implícita ou explícita.

É importante observar a ginga, notando o intenso magnetismo a desprender-se do capoeira dançando com todo o corpo, balançando os braços, sorridente frente ao adversário que por força quer atingi-lo.

Os braços se posicionam sempre de forma tal que fica garantida proteção à cabeça, quando se faça necessário, para – na ocasião apropriada – prepararem um ataque. As pernas alternam passos que permitem a execução de outros movimentos. Na mobilidade dos quadris se encontra uma das causas da agilidade com que os capoeiras se esquivam ante ataques, sendo recurso auxiliar no arremesso de movimentos com os pés, mãos ou cabeça.  

Além de incluir uma sucessão de posições de guarda do capoeira, a ginga possibilita o início e velocidade nos ataques e defesas. Esta premissa estabelece, portanto, a necessidade do pleno conhecimento da sua mecânica. À medida que o jogador se entrega ao ritmo de forma descontraída, deve personalizá-la, ajustando-a sempre conforme seu temperamento e intenções.

Ao gingar o capoeira se permite improvisos e inovações, considerando o essencial: defender um lado do corpo enquanto o outro se prepara (ou executa) um ataque. Deve ser considerada imprescindível a manutenção do equilíbrio do corpo. Nestas condições, o emprego de figurações e gestos destinados a desviar a atenção do adversário, camuflando o propósito de ataques e defesas, acontece de acordo com a criatividade de cada um. O desenvolvimento da maneira própria de gingar depende de imaginação e prática constante.

É importante o treinamento da ginga pelo capoeira defronte a um camarada, executando apenas gestos destinados a desviar a atenção do adversário, aplicando diversas formas de truques ao seu alcance, para enganar o oponente, assim como a execução intensiva individual.

Movimento de locomoção do capoeira na roda, permite aproximar-se ou afastar-se do oponente, armando ataques e executando uma defesa.

Negativa

Aqui o capoeira desce sobre uma perna, que flexionará sob o peso do corpo, ao abaixar-se. Com isto, temos o corpo sobre uma perna, apoiado no calcanhar, enquanto a ponta do pé (flexionada) firma a base no chão. A outra perna é lançada à frente, esticada, o calcanhar tocando o solo. O braço deste lado apoia a mão ao solo, garantindo ao capoeira três pontos de apoio e uma posição que permite locomoção rápida.

Geralmente os capoeiras aperfeiçoam a execução da negativa treinando a troca de negativas, que consiste em alternar sucessivamente os pontos de apoio do corpo, de um lado e de outro, em rápidos movimentos

Meia-lua de frente

Ao fazer este movimento o capoeira descreve uma meia-lua com uma perna estirada, arremessada com o pé passando à altura do adversário e completando um semicírculo, para então voltar com o pé ao ponto inicial, retornando à ginga.

Bênção

O capoeira ao aplicar a Bênção levanta a perna que se encontra atrás na ginga, puxa-a em direção a si e – num movimento rápido – empurra-a contra o peito do adversário, buscando atingi-lo com o calcanhar.

Esquiva

 Neste movimento o capoeira se desloca sem recuar o corpo, porém evitando a trajetória de um gesto contrário, se abaixando lateralmente.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

 Þ       Adorno, Camile – A arte da Capoeira – (S.D)

Þ       Mestrinho, Mestre – Arte-Luta Brasileira – (S.D)

Þ       Moura, Jair – Mestre Bimba – A crônica da Capoeiragem – (S. D)

Þ       Rodrigues, Nina – Os africanos no Brasil – Ed. NACIONAL, São Paulo, 1977 (1 a ed.1933)

Þ       Vieira, Emílio – Na roda do berimbau – Goiânia, ORIENTE, 1973

 

 

 

 

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